Foto: Rian Lacerda (Diário)
A comunidade da Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Reverendo Alfredo Winderlich, localizada na Rua Honório Lemos, no bairro Urlândia, em Santa Maria, convive com a insegurança e o improviso. Com cinco das 11 salas de aula interditadas devido a problemas estruturais no telhado e o risco de queda de árvores de grande porte, a instituição precisou readequar seus espaços. São mais de 100 alunos impactados.
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O problema de infraestrutura é no interior do prédio. Já passaram três meses desde que o telhado desabou. A diretora da instituição, Patrícia de Oliveira, 43 anos, detalha que o colapso de parte do telhado atrapalhou o retorno do ano letivo.
– Nós estávamos reformando as salas do fundo para trazer a sala de recursos e fazer uma surpresa para a comunidade escolar. Acabou que o pessoal do posto de saúde (vizinho à escola) nos avisou que estava destelhado. Acreditamos que o problema nas madeiras com cupim já vinha de antes – conta a diretora, que está na gestão da escola há um ano.
Patrícia relata que chegou a pagar pela colocação de novas telhas, mas um temporal recente derrubou o material novamente. A Defesa Civil forneceu uma lona, porém a instalação foi descartada pela direção devido ao risco de ceder com o peso da água e colocar funcionários em perigo. Com isso, a cada chuva, o espaço interditado fica encharcado.
A infraestrutura elétrica também é motivo de alerta, já que a fiação sofre com desgaste e representa, de acordo com a diretora, um risco para os alunos. No bloco, que está interditado, a energia está parcialmente desligado para evitar curtos-circuitos.
– A rede é antiga. Nós já tivemos faíscas de fogo aqui. Conseguimos prestadores de serviço que fizeram o trabalho de forma voluntária e um engenheiro que nos deu um parecer técnico atestando o comprometimento da rede – complementa a gestora.
Impacto nas turmas
Com quase metade das salas fechadas, a escola precisou transformar a sala de informática, a sala multimídia e a sala de recursos em espaços de aula regulares. Turmas dos anos iniciais precisaram ser agrupadas para dar conta da demanda, e alunos do primeiro ano chegaram a utilizar mesas da pré-escola devido à readequação forçada. Para acessar os banheiros, algumas turmas precisam cruzar por dentro de outras salas de aula e descer o pátio, muitas vezes sob chuva.
– Os professores ficaram bastante assustados com toda a situação. Como sobraram profissionais sem sala, muitos foram remanejados para outras escolas. Aumentaram bastante os conflitos porque os alunos ficaram muito próximos uns dos outros nas turmas cheias. Ocorreram também transferências pedidas por pais. Nesse processo de adaptação, nós fomos apoiados pelo setor pedagógico da Secretaria e pelo programa Todos na Escola – ressalta Patrícia.
Árvores de grande porte
Do lado de fora, a ameaça vem de cima. Há cerca de oito anos, a comunidade escolar solicita a supressão de árvores de grande porte que ficam no pátio. Das 14 árvores originais, apenas três foram retiradas no período.
As 11 árvores restantes já foram avaliadas e condenadas pela Defesa Civil devido ao risco de queda. A direção possui as certidões de ocorrência e os ofícios de pedido de supressão documentados, mas aguarda a execução do serviço.
– Nós, até hoje, tivemos a sorte de que quando caíram galhos e quebraram telhas não tinha ninguém aqui, não tinham crianças nem funcionários. Mas a gente conta com a sorte. O risco não é só em dias de temporal e vento forte. As árvores estão por cima das salas de aula, inclusive próximas às salas dos pequenininhos, que são as turmas de primeiro ano e pré-escola – alerta a diretora.
Famílias com medo

Sem avanços e sem segurança, a preocupação de casa é dos pais enquanto seus filhos estão em aula. A autônoma Dienifer Cantarelli, 29 anos, ex-aluna da escola e mãe de dois estudantes, lamenta a degradação do espaço.
– Pedimos providências porque nos preocupamos não só com os nossos filhos, mas com as outras crianças. As condições estão bem precárias. Quando faltou água, não teve aula, pois não há como higienizar os banheiros de um turno para o outro sem caixa d'água – relata Dienifer.
O temor é compartilhado pela autônoma Laiz Brandão Fogiatto, 29 anos.

– É o primeiro ano da minha filha aqui. A questão maior é a segurança dos alunos em geral. Tem as árvores bem próximas à salinha deles e ao refeitório, além do transtorno de ter que passar por dentro da sala de outras turmas, o que atrapalha a aula – pontua Laiz.
Para a dona de casa Samara dos Santos Gaier Fernandes, 24 anos, mãe de uma aluna do primeiro ano, o clima é de insegurança a cada mudança no tempo.

– Eles já saíram da salinha que tinha todo o conforto. A preocupação é em dias de temporal. Como a gente vai mandar sabendo que tem árvores próximas? Ficamos com medo – desabafa Samara.
O que diz a Secretaria da Educação
A secretária interina da Educação, Adriana Bonumá, reconhece as demandas e afirma que a pasta trabalha para solucionar os impasses. Sobre a retirada das árvores, a secretária explicou que o município esbarra na falta de mão de obra técnica especializada.
– No ano passado, nós conseguimos um caminhão-cesto, mas não tínhamos servidores da prefeitura habilitados para subir no equipamento e fazer a retirada com segurança. Tentamos apoio do Exército e dos Bombeiros. Estamos tentando novamente via Corpo de Bombeiros – afirma Adriana.
Caso o Poder Público não consiga executar a supressão nos próximos dias, a secretária afirma que a alternativa será contratar uma empresa privada de forma emergencial, utilizando verbas descentralizadas da própria escola ou recursos diretos da Secretaria.
Em relação à reforma das cinco salas interditadas, a secretária informou que o processo está em andamento, mas não estipulou prazos para o início das obras.
– Essa obra já está nos nossos registros e está na fase de projeto e posterior orçamento. É o meio do processo. É difícil dar um prazo porque precisamos de empresas habilitadas e passar por um processo licitatório – justifica.
Apesar das junções de turmas e da perda de espaços especializados, Adriana Bonumá garantiu que as readequações acompanhadas pelo setor pedagógico respeitam as diretrizes legais.
– Nenhuma turma chega ao número máximo de alunos previsto pela resolução do Conselho Municipal de Educação – conclui a titular da pasta.